Desde antes de começar esse mês eu tinha uma grande expectativa em relação a como seria esse dia, que caiu no ultimo sábado. Meu pai estaria completando 54 anos, se uma infeliz doença não tivesse nos tirado o convívio dele.
Fazia tempo que queria escrever sobre tudo isso, mas não conseguia. Resolvi que ia aproveitar a época do aniversário dele pra fazer isso de uma vez.
Sexta e sábado não consegui. No domingo, estava zapeando os canais e por acaso caiu no Faustão. Tinha um quadro daqueles que os familiares de algum famoso contam histórias e o cara assiste e comenta a respeito. Quem tava participando esse dia era o Rogério Ceni. Eu particularmente nunca gostei nem um pouco dele por motivos de futebol e porque achava que ele era meio metidão. Mas ele falou uma coisa naquele momento que me sensibilizou, e me identifiquei. Ele perdeu a mãe cedo. Ela pôde ver apenas dois ou três jogos dele como profissional. Falou que a mãe dele era meio que o ponto de equilíbrio da família dele.
Eu acredito que era mais ou menos isso que meu pai era na minha família. Não só na minha família, mas na minha vida. Sempre o tive como base pra praticamente tudo. Mesmo tendo morado sozinho nos últimos anos, sempre que podia tentava ouvir o que ele tinha a dizer e tentava seguir o que ele me sugeria. Raramente dava errado. Então além de perder alguém por quem eu nutria um sentimento enorme e tenho certeza que era recíproco, eu acabei perdendo minha principal referencia de vida. Aquela pessoa que tu recorre quando não sabe mais o que fazer. Sem falar que ele foi meu primeiro e maior amigo, nesses anos que tive a oportunidade de conviver com ele.
Mas o mais legal é que a tristeza meio que passou, o que fica na memória agora são os momentos bons. O futebol que jogamos e assistimos juntos milhares de vezes. Filmes, filmes e mais filmes vistos e comentados. As piadas e brincadeiras que um aplicava no outro, aliás, certamente foi ele que me deu a primeira dose disso que se tornou praticamente um vício na minha vida: o humor. E assim a vida segue. Devagarinho as coisas vão sendo recolocadas no eixo.
Não podia escrever isso sem mencionar a importância dos amigos e da família durante esse tempo. Ficar junto a pessoas que eu gosto ajudou muito a me manter pra cima nesse ultimo fim de semana e no resto do ano também. A essas pessoas eu só tenho a manifestar minha eterna gratidão, sem vocês, tudo isso seria muito pior.
Desculpem amigos que leram o primeiro post e acharam que o post seguinte fosse ser no mesmo estilo. Mas era algo que estava guardado aqui dentro há muito tempo. Eu precisava escrever isso. E talvez tenha sido um dos motivos que me levaram a criar esse blog. Demorei um certo tempo para escrever porque era inevitável não me emocionar a cada parágrafo. Mas como eu falei anteriormente, o que ficam são as lembranças boas e a vontade de viver e ser feliz que, certamente, foram os maiores legados que ele poderia ter me deixado.
e essa é uma musica que lembra bastante ele:
"And now he's home, and we're laughing
Like we always did my same old, same old friend"
Assinar:
Postar comentários (Atom)
7 comentários:
Eu vou dormir chorando essa noite, lindo oq vc escreveu!!!
Vc fez bem de transcrever em palavras, eu fiz isso algumas vezes tb depois que perdi meu pai. E se não fossem meus amigos e familia eu com certeza não teria continuado!
To aqui longe de vc e faz pouco tempo que nos "conhecemos", mas c sabe neh lindinho, pode contar com a boneca pra qq coisa!
:D
Se tiver saco e curiosidade, leia:
http://behindasmile.multiply.com/journal/item/79/Feliz_dia_dos_Pais
http://behindasmile.multiply.com/journal/item/59/A_ficha_caiu
**Copie o link e cole no seu navegador**
cara, que texto afude.
me emocionei.
eu nao posso dizer que te entendo porque eu nunca perdi meu pai. e cada vez que eu tento imaginar isso, já me dói e prefiro pensar em outra coisa. é bem assim mesmo que vejo o meu pai, minha base, meu porto seguro. eu queria saber o que te falar, mas seja forte e lembre de tudo que ele te falou pra que vc seja uma pessoa melhor e tao boa quanto ele era.
Perdi meu pai faz três meses. Sei como é.
Belo texto.
lindo pra caralho, cara.
Tu é muito afude
Postar um comentário